CAPITULO 3
Fiquei ali jogada no sofá entediada durante um bom tempo! Olhava para cima e as palavras de Luan invadiam a minha cabeça e me faziam pensar em cada uma delas. O jeito preocupado e ao mesmo tempo autoritário que ele falou comigo me fez bufar, espantei meus pensamentos e levantei, caminhei até a cozinha queria comer. Mas o que? Abri o armário e não encontrei nada do meu agrado. Fiz o mesmo com a geladeira e nada. Que saco! Além dela viajar, não deixa nada comível em casa! O jeito vai ser ir até o mercado.
Tomei um banho e ao passar a mão com um pouco de shampoo sobre minha cabeça, senti arder um pouco 'Ai filho da puta!' Exclamei sentindo um leve ardido aonde eu bati a cabeça mais cedo. Depois de enxaguar meus cabelos e passar o condicionador, desliguei o chuveiro me sequei e vesti minha roupa íntima indo para o meu quarto. Esqueci que a sacada estava aberta e parei em frente ao meu espelho arrumando meu sutiã com a toalha enrolada na minha cabeça, pelo reflexo dele vi alguém me olhando do outro lado, e ao virar para trás percebi Luan correndo para não ser visto! TARADO! - Eu gritei enquanto me enrolava na toalha e fechava a porta da varanda. Terminei de arrumar meu sutiã e coloquei uma roupa básica, um short jeans e uma blusinha simples de alça estava de bom tamanho para quem ia só no mercado. Calcei meu chinelo, peguei minha carteira e meu óculos de sol abri novamente a sacada e sai do meu quarto descendo as escadas indo a procura da chave da minha casa e do meu carro.
Mas eu sempre deixo as duas juntas! Onde foi parar a chave de casa? Puta merda viu... Odeio perder as coisas! - Eu reclamava como se alguém pudesse me ouvir.
(...)
Estava no meu quarto procurando uma camisa para vestir, quando passei pela porta da varanda e tive uma bela visão! Ela estava apenas de calcinha e sutiã se ajeitava em frente ao espelho... É, até que ela é gostosinha! Fiquei olhando aquela belezura até ela perceber e gritar um "tarado" que sem dúvida nenhuma o quarteirão inteiro ouviu. Não contive meu riso, e após pegar a primeira camiseta que eu encontrei sai do meu quarto rindo ao lembrar da cena, passei pela cozinha e encontrei meu pai.
Filho como você conseguiu entrar na casa da vizinha?
Pulei a janela da cozinha pai!
Mas menino! Você não quebrou nada não né?
Não, quer dizer não sei... Acho que não. - Cocei a cabeça.
Luan, Luan...
Falar nisso, preciso devolver a chave dela. - Disse terminando de beber um copo d'água. Já venho pai, vou entregar esse belo chaveiro a dona! - Dei um sorriso cínico e meu pai balançou a cabeça me negando.
Ei, espera aí! - Gritei e acenei alto com a mão.
O que você quer agora? Já fez a sua boa ação, eu já te agradeci. Agora me de deixa em paz. - Disse tranquila dessa vez.
Calma tá, não quero brigar. Só vim te devolver isso, você saiu da minha casa correndo e não deu tempo nem de te entregar sua chave. - Estendi a mão.
Ah... Obrigado! Eu fiquei procurando um tempão. E desisti, acabei pegando a reserva. - Ela pegou a chave.
Vai sair? - Perguntei.
Vou na casa da Bia! - Respondeu.
Ah sim, espero que esteja melhor! Eu... Eu vou indo. Só vim te devolver isso! Um bom domingo. - Disse meio intrigado, a Bia havia me dito que estava vindo para o churrasco aqui em casa.
Obrigada. Um bom domingo! - Sorriu fechado e seguiu em direção a sua garagem.
Tchau! - Acenei para ela.
Tchau. - Respondeu fechando o vidro e saindo com seu carro.
Mandei uma mensagem para Bia que me respondeu que já estava a caminho. Achei melhor comentar que sua amiga havia dito que estava indo até lá para evitar conflito. Bia me respondeu que Camila havia lhe convidado para almoçar e ela tinha dito que tinha um churrasco para ir. Dei de ombros e segui para a área externa ajudar meu pai com as carnes que ele temperava para começar a assar.
(...)
No caminho liguei para Bia a convidado para almoçar e ela me disse que iria em um churrasco. Devia ser coisa da família dela, as vezes eu invejava a minha amiga. Ela tinha uma família grande, e embora seus pais trabalhassem muito. Eles sempre estavam em casa aos fim de semana. Desliguei nossa ligação e dirigi até o centro onde resolvi parar em um barzinho que eu costumava frequentar. Pedi uma caipirinha e uma porção individual de batata frita. Minha bebida não demorou a chegar e eu também não demorei a terminar com ela pedindo uma segunda. Logo veio, e com ela a minha porção de fritas. Acabei pedindo um filé a milanesa com arroz a grega e enquanto meu prato não chegava eu petiscava algumas batatas e bebericava o meu drink. Meu almoço chegou, eu comi e logo depois continuei a beber. Aproveitei que estava sentada na área externa do restaurante e solicitei ao garçom que me trouxesse um maço de cigarro. E ali eu fiquei, fumando e bebendo. Olhei no relógio e passava das dezesseis horas! Não senti o tempo passar. Solicitei ao garçom a conta é me assustei quando ele me trouxe, eu havia tomado 7 caipirinhas e 2 doses de tequila. Como eu aguentei? Pensava! Paguei a conta e ao levantar me senti um pouco tonta. Respirei fundo, ergui a cabeça e disse que estava tudo bem. Solicitei que trouxessem meu carro e agradeci quando ele chegou e eu pude sentar no meu banco. Senti que a minha vista estava um pouco embasada, decidi que teria que dirigir devagar, havia bebido mais do que o habitual e estava me sentindo um pouco tonta. Depois de dirigir uns dois quilômetros, senti minha vista pesar e resolvi ligar para a Bia, precisava que ela viesse me encontrar e me levasse para casa. Eu não estava em condições de dirigir. Parei em uma vaga pública e busquei por meu telefone em minha bolsa, havia 12 chamadas perdidas em meu celular, 1 da minha Bia 3 do meu pai e o restante da minha mãe. Ignorei meus pais e disque o telefone de Boa que chamou diversas vezes mas caiu na caixa postal. Insisti mais algumas vezes e nada dela me atender. Já fazia um tempo que eu estava parada, estava me sentindo melhor. Resolvi ligar o carro e seguir em direção a minha casa, no caminho retornei a ligação da minha mãe que me atendeu no segundo toque dizendo que estava a tempos tentando falar comigo. Acabamos por discutir quando ela disse que "houve um imprevisto" e ficaria mais alguns dias no Rio. Desliguei o telefone sem nem escultar sua explicação e peguei um cigarro que estava no banco do carona. Ascendi e senti minha tontura voltar. Como eu já estava próxima do condomínio, não dei importância. Dava pra chegar. Eu iria entrar, tomar um banho e dormir...
(...)
O clima lá em casa era bom, meus amigos já haviam chegado. Bruna convidou algumas amigas dela e eu chamei a Bia que também já estava lá e logo se enturmou com o grupo de meninas mas parecia não estar muito confortável ali, me aproximei dela e começamos a conversar:
Tudo bem?
Sim... - Forçou um sorriso.
Parece que não tá gostando.
Estou sim! É que estou preocupada com a Camila.
Não fique, ela está bem. Eu a convidei sabia?
É a Bruna comentou! - Nesse momento ouvimos uma freada muito forte, em seguida alguns barulhos estrondosos de lataria e vidros se quebrando.
O que foi isso?
Alguém que acabou de se matar! - Sorocaba gritou vendo o que tinha acontecido por cima do muro.
Tá doido boi? - Disse me aproximando e subindo no murinho também.
Sério boi. E foi bem aqui em frente! Algum playboy inconsequente. - Ele balançou a cabeça. E eu reconheci o carro, desci as pressas e murmurei.
Ou uma patricinha! - Desci correndo e chamei Bruna, comentei por alto e pedi que ela ficasse de olho em Bia.
Segui até a entrada do condomínio e quando chegando Jeferson o porteiro ia se aproximando.
Boa Tarde Sr. Luan
Sabe me informar se tem algum na casa da sua vizinha?
A Camila?
Sim senhor.
Acho que ela está sozinha...
Sua feição era de espanto e preocupação ao mesmo tempo.
Cê viu o acidente?
Vi... É, é que... Sr Luan, era a menina naquele carro!
A CAMILA? Tá esperando o que Jeferson, abre logo esse portão. Vamos socorrer!
Eu já chamei o resgate. Acho que ela está morta.
Não está não ela está se mexendo, abre! - Pedia desesperado.
Foi a cena mais horrível que eu já vi, o carro estava totalmente destruído e o resto de suas coisas que provavelmente estavam no carro ou em sua bolsa espalhados por todo o quarteirão. Camila estava muito machucada, seu sangue escorria por todo o seu rosto, tinha marcas em seus ombros braços, metade do seu corpo estava para fora do carro e a outra metade presa. Ela chorava muito, parecia estar nervosa, gritava por socorro.
Luan, por favor... Me tira daqui! Você é homem... AAAAAAAAAI! - Ela gritou. Minha perna tá presa, eu não consigo soltar ela.
Calma, você não pode se mexer, pode ter fraturado alguma coisa. Já chamamos o resgate. Eu não posso mexer em você! - Eu disse derrotado. Se eu fizer isso posso te machucar mais ainda. - Ouço a sirene de resgate se aproximando. Já estão chegando, aguenta firme!
Explicamos o que ouvimos para um dos socorristas enquanto outros dois tentavam tirar Patrícia de dentro do carro, porem era mais grave do que imaginávamos. A perna esquerda dela estava presa nas ferragens e eles não estava conseguindo tirá-la de lá...
Desculpa, é... Tá complicado ali, a perna da moça tá presa no meio das ferragens, vamos precisar de reforço. Nós três não vamos conseguir! Precisamos de reforço para ajudar a levantar aquela parte lá - Apontou para o que parecia ser o capô do carro, ou o que sobrou dele. - Mas ela não vai aquentar esperar... Ela tá perdendo muito sangue! - Ele disse derrotado.
A gente ajuda! A gente levanta o carro e vocês retiram ela. - Falei me intrometendo.
Tem mais gente ou só vocês?
Tem mais! Jeferson, toca lá em casa manda os homens todos vim.
Todos que estavam no churrasco agora estavam la fora vendo aquela triste cena. Eu e meu pai, Sorocaba e Dudu fomos ajudar os bombeiros enquanto Max tentava acalmar Bia junto com a Bruna. Sim, foi difícil tenho que confessar! Mas graças a Deus conseguimos puxar aquela parte que estava toda amassada e imprensava a perna de Camila. Logo um dos socorrista a tirou de lá e podemos soltar a lataria colocando novamente no chão, eles a imobilizaram e ela parecia não saber qual era a gravidade do seu caso, já que não via que sua perna esquerda estava com uma fratura exposta. Agora entendi o porque dos gritos que ela dava de dor... Realmente aquilo ali devia estar insuportável!
Mais uma vez um dos socorrista se aproximou nos perguntando se havia alguém que pudesse acompanhar a moça até o hospital, e Bia disse que iria com ela. Me ofereci para ir junto, porém meu pai disse que não seria uma boa ideia. Tive que me contentar em receber noticias por telefone somente. Peguei o contato dos pais da Camila com Bia e me propus a contar o ocorrido a eles, me despedi de Bia e pedi que ela me mantes se informado. Voltamos todos para casa não tinha mais clima para festa, mas continuamos todos ali, dessa vez torcendo para que a menina saísse daquela situação com vida!