sexta-feira, 30 de agosto de 2019

OPERANDO UM MILAGRE

CAPITULO 4


Já passavam das dezenove horas quando meu celular começou a tocar. Olhei no visor e o nome de Bia aparecia na tela ainda apreensivo  atendi.

Alô! - Atendi rápido 
Oi Luan, estou ligando para avisar que o médico acabou de passar aqui e disse que ela está fora de perigo. - Ela parecia aliviada.
E a perna dela? - Perguntei preocupado, pelo estado que eu vi quando a tiraram do carro, parecia ter ficado bem machucada.
Então o médico disse que ela ainda está na sala de cirurgia, mas que ela está correspondendo bem. Está fora de perigo e isso é o mais importante no momento. - Explicava o que o médico havia lhe informado.
Nos avisa quando ela for para o quarto. - Pedi, preocupado.
Eu aviso sim! Ah, eu deixei um recado no Whatsapp do Tio Carlos, não entrei em detalhes, só disse que eu estava no hospital e que a Camila havia sofrido um acidente. Não sabia se você conseguiria contato com eles. - Ela dizia simples.
E ele? Eu até tentei mas só dava caixa postal. - Me explicava.
Ele tá vendo se consegue um voo para o Brasil. - Disse.
Ele não mora aqui? - Perguntou.
Mora. Mas tem negócios em Nova Iorque e Miami. - Explicou.
Ah, sim. Bom, vou fazer uma corrente de oração aqui em casa, e eu tenho certeza que Nossa Senhora da Aparecida vai atender minha prece e junto com o nosso Senhor. - Disse emocionado.  Jesus Cristo vai trazer a cura para ela.
Amém Luan! Amém! - Respondeu esperançosa.
Vai passar a noite aí? - Perguntei.
Vou. Não vou deixar minha amiga sozinha! - Ela respondeu o óbvio.
Quer companhia? - Perguntei novamente, já sabendo a resposta.
Obrigado por se preocupar com a gente. Eu, vou ficar aqui até amanhã a hora que alguém chegar.  - Ela disse tranquila.
Então vai nos mantendo informado, e qualquer coisa avisa que a gente vai até aí. - Reforcei o lembrete.
Ta bom, eu ligo! Um beijo. - Respondeu e se despediu.
Um beijo e fica com Deus, vai dar tudo certo! - Retribuí e me despedi.
Amém.


Desliguei e todos já me olhavam apreensivos a espera de notícia, contei tudo a eles... O importante é que ela fique bem - Começamos uma corrente de oração, meio dela eu senti uma luz muito forte invadindo os meus olhos mesmo estando com eles fechados. O abri pois aquilo estava me incomodando e pude ver nitidamente um anjo com suas mãos sobre  Camila enquanto ela estava deitada em um leito de hospital, quando o anjo se virou eu vi meu rosto nele. Não acreditei e me emocionei. E confesso ter ficado impressionado! Nunca passei por nenhuma experiência semelhante. Uma voz falava em meu coração insistia que eu fosse até o hospital, havia uma canção em minha cabeça, ela não saia de jeito nenhum! Soltei as mãos e sai meio atordoado procurando minhas chaves.
 
(...)

Pedi informações a uma recepcionista que me olhou incrédulo, expliquei mais ou menos do que se tratava e dei o nome da paciente, me informou onde ela estava e me deu um crachá de visitante. Segui até o seu quarto e bati na porta, ouvi uma voz familiar autorizando minha entrada e quando abri a porta vi Camila deitada exatamente como na minha visão e Bia sentada em uma poltrona próxima a ela.

O que faz aqui? - Disse baixinho.
Eu tive um pressentimento e meu coração pediu que eu viesse aqui. - Disse me explicando.

Bia me olhava atenta, me aproximei de Camila e acariciei seu rosto. Sorri, ela estava tão serena. Bem diferente da menina arisca que conheci. Segurei sua mão e a outra coloquei sobre sua perna, fechei meus olhos e senti uma energia tão grande me invadindo. Minhas mãos estavam quentes, era impressionante! Continuei com meus olhos fechados, dessa vez não por querer e sim por não consegui abrir.

Comecei a cantar:

" Cubra-me com seu manto de amor, guarda-me na paz desse olhar, cura-me as feridas e a dor me faz suportar.
Que as pedras do meu caminho, meus pés suportem pisar e mesmo ferido de espinhos me ajude a passar.
Se ficarem mágoas em mim mãe, tira do meu coração! E aqueles que eu fiz sofrer peço perdão.
Se eu curvar meu corpo na dor me alivia o peso da cruz, interceda por mim minha mãe junto a Jesus.

Nossa Senhora me dê a mão cuida do meu coração, da minha vida, do meu destino... Nossa Senhora me dê a mão, cuida do meu coração. Da minha vida, do meu destino, do meu caminho, cuida de mim.
Sempre que o meu pranto rolar ponha sobre mim suas mãos, aumenta minha fé e acalma o meu coração.
Grande é a procissão a pedir, a misericórdia o perdão, a cura do corpo e pra alma a salvação. Pobres pecadores oh mãe, tão necessitados de vós Santa Mãe de Deus tem piedade de nós!
De joelhos aos vossos pés, estendei a nós vossas mãos rogai por todos nós vossos filhos meus irmãos...

Nossa Senhora me dê a mão, cuida do meu coração. Da minha vida, do meu destino. Nossa Senhora me dê a mão, cuida do meu coração. Da minha vida, do meu destino, do meu caminho... Cuida de mim. "

E assim que eu terminei de cantar eu consegui abrir meus olhos, e senti uma paz tão grande dentro de mim. Olhei para Bia que não estava entendendo o que eu fazia ali, e confesso que nem eu. Dei um beijo na testa de Camila e me aproximei de Bia, a abracei e me despedi com um beijo em seu rosto também.

Obrigada!
Eu tô aqui se precisar, pode contar comigo.
Você é um anjo. Eu sempre soube...
Hoje eu tive certeza. Não sei explicar o que aconteceu. Só sei que fui um instrumento nas mãos de Deus. Ele me usou para operar um milagre.
Ele te usa todos os dias! A sua música transforma a vida das pessoas, o milagre está no seu canto. O canto de um anjo. - Ela disse emocionada, seus olhos brilhavam.
Você está me deixando envergonhado.
Anjos não sentem vergonha!
Quem disse que não? Sou um anjo tímido. - Sorri fraco. É melhor eu ir, antes que alguém venha aqui me expulsar.
Obrigada mais uma vez. Me manda uma mensagem quando chegar.
E você me avisa quando ela acordar.
Combinado! - Nos despedimos e eu saí do quarto. Agradeci na recepção e devolvi o crachá que a moça havia me dado.



UM MÊS DEPOIS

30 dias havia  se passado depois do pior dia da minha vida. Eu vi a morte de perto e confesso que eu pedi muito a Deus pela minha vida. Eu não queria morrer! Não daquele jeito. Passei uma semana internada no hospital, e a pior parte foi ter que aguentar meus pais me dando sermão! Porém só assim para eu consegui a atenção deles -  Durante o período em que estive internada, tive um sonho muito realista e tive que compartilhar com a Bia e ela me jurou que não tinha sido um sonho. Ela disse que aconteceu tudo que eu contei, detalhe por detalhe. Como pode? Eu estava sedada! Não me lembro nem como eu capotei o carro, não lembro quem me socorreu. Não lembro nada! Como posso lembrar de uma pessoa que esteve no meu quarto enquanto eu ainda estava sedada? Foi impressionante. Eu lembro que sentia minha perna queimando, mas não queimando de dor, não doía, era uma queimação boa. Como se estivesse ocorrendo uma troca de energias, não sei explicar... Só sei que quando eu acordei, o médico disse que minha perna ter tido uma recuperação tão rápida, era um milagre! E eu agradeci muito, aos médicos e a Deus que me permitiu mais uma vez de viver - sobre o dono do meu impressionante sonho, eu não tive mais contato. Ele não foi mais no hospital me visitar, e nem em minha casa! Tá, eu confesso que eu fui extremamente estúpida quando nos conhecemos. Mas não sou uma pessoa mal-educada. Bia me disse que se não fosse ele é seus amigos, eu poderia ter morrido esperando reforços. Eu queria agradecer por ele ter colaborado em salvar a minha vida. Fiquei sabendo pela sua irmã que ele estava em turnê pelo nordeste e por isso não tinha voltado para casa nas últimas semanas. Sim, eu e ela estávamos nos dando bem. Depois que eu voltei para casa ela me fazia frequentes visitas, e a gente acabou se aproximando. Bia nem sempre podia estar por perto. Ela estudava, e ajudava seu pai nos assuntos da empresa. Então durante a semana Bruna me fazia companhia, já que eu teria que ficar 60 dias de molho com a perna imobilizada. Eu havia colocado 4 pinos e levado 37 pontos em minha perna, espero que não fique nenhuma cicatriz.

Meu pai havia tirado um pequeno recesso mas retornou para Miami, e minha mãe continuava na rotina de sempre! Contratou uma enfermeira para que cuidasse de mim durante esse período em que eu estava um pouco "debilitada" e no mais, seguiu sua rotina. O que não me deixou nem um pouco surpresa.


Hoje é sexta, Bruna está em minha casa, seus pais foram para Campo Grande e eu pedi que ela viesse dormir comigo. Dispensei a enfermeira mais cedo e disse que ela poderia tirar o fim de semana de folga. Bruna e Bia passariam o fim de semana comigo - Beatriz chegou por volta das dezessete horas na minha casa, eu e Bruna assistimos a um filme quando a campainha tocou. Bruna levantou para abrir a porta enquanto eu dei pause no filme. Nos comprometemos rapidamente e voltamos a assistir o filme logo terminou e então resolvemos conversar, colocar o papo em dia. Bia nos confessou que estava de rolo com um colega de faculdade e Bruna disse está paquerando um menino do condomínio.

Eu sei quem é! Já vi algumas vezes por aqui. Ele tem um irmão gêmeo!
Mentira! Sério? Você tá afim dos gêmeos? - Bia perguntou incrédula para Bruna.
Dos gêmeos não. Só de um! - Elas riram.
Boba, você entendeu! Qual deles?
Eu não sei quem é quem ainda. - Fez uma careta.
Eu sei quem pode te ajudar. - Eu disse orgulhosa.
Quem? - As duas indagaram.
O Luan! - Dei de ombros.
O que? Como assim? - Bruna me questionou confusa. E Bia a acompanhou.
Não sei se vocês sabem, mas eles são músicos. Não tão famosos quanto o seu irmão. Mas eles cantam, em dupla! Eu sempre vejo eles no Country's.
E por que você nunca me contou?
Ué, alguma vez você me perguntou o que eles faziam? E você? Eu estou sabendo agora do seu interesse por ele!
Pois eu vou intimar o Luan a convida-los para um churrasco assim que ele chegar.
Falando nele Bruna, quando ele volta? - Bia não aguentou. E acabou perguntando. Revirei os olhos.
Quando a Bia começa o assunto "Luan Santana" nunca mais chega ao fim.
Não sei Mas acho que esse fim de semana seja o último. Quarta feira já é Julho, acabou o mês de festas juninas. - Ela deu de ombros. Falando nele. Olha só quem está me ligando.

Oi Pi!
Oi Pi... Está em casa?
Não. Porque aconteceu alguma coisa?
Eu precisava falar com o pai. Estou ligando no celular dele, está na caixa postal. Em casa ninguém atende, no escritório ele não está...
Ele foi para Campo Grande com Mãe.
Ah, então deve ser isso. Eles devem atar no voo. Depois eu ligo para ele então. E você, porque não foi?
Noite das meninas! O pai da Camila voltou para Miami e a mãe dela foi em um evento Social e depois ia passar o fim de semana em um resort em Angra com as amigas... Ela ia ficar sozinha, com a enfermeira aí eu e a Bia viemos passar o final de semana com ela.
Legal! Fala que eu mandei um abraço e estimas melhoras.
Ele está te mandando um abraço e melhoras. - Ela disse e eu agradeci, lhe retribuindo o abraço. Bia está te mandando um beijo enorme! A Camila agradeceu e mandou outro abraço. E vem cá, quando você volta? Estou com saudades.
A Arlete acha que domingo é a última apresentação em Petrolina. Porém preciso que o pai verifique se eu tenho alguma gravação na segunda, pois a gente não tem certeza se a gravação do Caldeirão do Huck é segunda agora, ou só na próxima semana. Se for essa semana, volto na quarta. Se for na próxima, segunda pela manhã já estou aí!
Ótimo! Precisamos fazer um churrasco e convidar a galera do condomínio.
Bruna, o que eta aprontando?
Nada Pi! Só quero que a gente conheça mais os nossos vizinhos. As vezes eu me sinto tão sozinha. Não é sempre que a Camila pode me dar atenção. E você, você não conhece ninguém aqui!
Sei... Depois vemos isso! Eu vou desligar porque preciso me arrumar para ir para o local do show. Se consegui falar com o Pai antes de mim pede pra ele ligar para o Rober ou para a Arlete.
Tá bom! Um beijo, te amo!
Também amo você! 
Tchau! - Ela desligou voltando sua atenção para nós novamente.

ME SALVA!

CAPITULO 3


Fiquei ali jogada no sofá entediada durante um bom tempo! Olhava para cima e as palavras de Luan invadiam a minha cabeça e me faziam pensar em cada uma delas. O jeito preocupado e ao mesmo tempo autoritário que ele falou comigo me fez bufar, espantei meus pensamentos e levantei, caminhei até a cozinha queria comer. Mas o que? Abri o armário e não encontrei nada do meu agrado. Fiz o mesmo com a geladeira e nada. Que saco! Além dela viajar, não deixa nada comível em casa! O jeito vai ser ir até o mercado.

Tomei um banho e ao passar a mão com um pouco de shampoo sobre minha cabeça, senti arder um pouco 'Ai filho da puta!' Exclamei sentindo um leve ardido aonde eu bati a cabeça mais cedo. Depois de enxaguar meus cabelos e passar o condicionador, desliguei o chuveiro me sequei e vesti minha roupa íntima indo para o meu quarto. Esqueci que a sacada estava aberta e parei em frente ao meu espelho arrumando meu sutiã com a toalha enrolada na minha cabeça, pelo reflexo dele vi alguém me olhando do outro lado, e ao virar para trás percebi Luan correndo para não ser visto! TARADO! - Eu gritei enquanto me enrolava na toalha e fechava a porta da varanda. Terminei de arrumar meu sutiã e coloquei uma roupa básica, um short jeans e uma blusinha simples de alça estava de bom tamanho para quem ia só no mercado. Calcei meu chinelo, peguei minha carteira e meu óculos de sol abri novamente a sacada e sai do meu quarto descendo as escadas indo a procura da chave da minha casa e do meu carro.

Mas eu sempre deixo as duas juntas! Onde foi parar a chave de casa? Puta merda viu... Odeio perder as coisas! - Eu reclamava como se alguém pudesse me ouvir.

(...)

Estava no meu quarto procurando uma camisa para vestir, quando passei pela porta da varanda e tive uma bela visão! Ela estava apenas de calcinha e sutiã se ajeitava em frente ao espelho... É, até que ela é gostosinha! Fiquei olhando aquela belezura até ela perceber e gritar um "tarado" que sem dúvida nenhuma o quarteirão inteiro ouviu. Não contive meu riso, e após pegar a primeira camiseta que eu encontrei sai do meu quarto rindo ao lembrar da cena, passei pela cozinha e encontrei meu pai.

Filho como você conseguiu entrar na casa da vizinha?
Pulei a janela da cozinha pai!
Mas menino! Você não quebrou nada não né?
Não, quer dizer não sei... Acho que não. - Cocei a cabeça.
Luan, Luan... 
Falar nisso, preciso devolver a chave dela. - Disse terminando de beber um copo d'água.  Já venho pai, vou entregar esse belo chaveiro a dona! - Dei um sorriso cínico e meu pai balançou a cabeça me negando.

Ei, espera aí! - Gritei e acenei alto com a mão.
O que você quer agora? Já fez a sua boa ação, eu já te agradeci. Agora me de deixa em paz. - Disse tranquila dessa vez.
Calma tá, não quero brigar. Só vim te devolver isso, você saiu da minha casa correndo e não deu tempo nem de te entregar sua chave. - Estendi a mão.
Ah... Obrigado! Eu fiquei procurando um tempão. E desisti, acabei pegando a reserva.  - Ela pegou a chave.
Vai sair? - Perguntei.
Vou na casa da Bia! - Respondeu.
Ah sim, espero que esteja melhor! Eu... Eu vou indo. Só vim te devolver isso! Um bom domingo. - Disse meio intrigado, a Bia havia me dito que estava vindo para o churrasco aqui em casa.
Obrigada. Um bom domingo! - Sorriu fechado e seguiu em direção a sua garagem.
Tchau! - Acenei para ela.
Tchau. - Respondeu fechando o vidro e saindo com seu carro.


Mandei uma mensagem para Bia que me respondeu que já estava a caminho. Achei melhor comentar que sua amiga havia dito que estava indo até lá para evitar conflito. Bia me respondeu que Camila havia lhe convidado para almoçar e ela tinha dito que tinha um churrasco para ir. Dei de ombros e segui para a área externa ajudar meu pai com as carnes que ele  temperava para começar a assar.

(...)

No caminho liguei para Bia a convidado para almoçar e ela me disse que iria em um churrasco. Devia ser coisa da família dela, as vezes eu invejava a minha amiga. Ela tinha uma família grande, e embora seus pais trabalhassem muito. Eles sempre estavam em casa aos fim de semana. Desliguei nossa ligação e dirigi até o centro onde resolvi parar em um barzinho que eu costumava frequentar. Pedi uma caipirinha e uma porção individual de batata frita. Minha bebida não demorou a chegar e eu também não demorei a terminar com ela pedindo uma segunda. Logo veio, e com ela a minha porção de fritas. Acabei pedindo um filé a milanesa com arroz a grega e enquanto meu prato não chegava eu petiscava algumas batatas e bebericava o meu drink. Meu almoço chegou, eu comi e logo depois continuei a beber. Aproveitei que estava sentada na área externa do restaurante e solicitei ao garçom que me trouxesse um maço de cigarro. E ali eu fiquei, fumando e bebendo. Olhei no relógio e passava das dezesseis horas! Não senti o tempo passar. Solicitei ao garçom a conta é me assustei quando ele me trouxe, eu havia tomado 7 caipirinhas e 2 doses de tequila. Como eu aguentei? Pensava! Paguei a conta e ao levantar me senti um pouco tonta. Respirei fundo, ergui a cabeça e disse que estava tudo bem. Solicitei que trouxessem meu carro e agradeci quando ele chegou e eu pude sentar no meu banco. Senti que a minha vista estava um pouco embasada, decidi que teria que dirigir devagar, havia bebido mais do que o habitual e estava me sentindo um pouco tonta. Depois de dirigir uns dois quilômetros, senti minha vista pesar e resolvi ligar para a Bia, precisava que ela viesse me encontrar e me levasse para casa. Eu não estava em condições de dirigir. Parei em uma vaga pública e busquei por meu telefone em minha bolsa, havia 12 chamadas perdidas em meu celular, 1 da minha Bia 3 do meu pai e o restante da minha mãe. Ignorei meus pais e disque o telefone de Boa que chamou diversas vezes mas caiu na caixa postal. Insisti mais algumas vezes e nada dela me atender. Já fazia um tempo que eu estava parada, estava me sentindo melhor. Resolvi ligar o carro e seguir em direção a minha casa, no caminho retornei a ligação da minha mãe que me atendeu no segundo toque dizendo que estava a tempos tentando falar comigo. Acabamos por discutir quando ela disse que "houve um imprevisto" e ficaria mais alguns dias no Rio. Desliguei o telefone sem nem escultar sua explicação e peguei um cigarro que estava no banco do carona. Ascendi e senti minha tontura voltar. Como eu já estava próxima do condomínio, não dei importância. Dava pra chegar. Eu iria entrar, tomar um banho e dormir...

(...)

O clima lá em casa era bom, meus amigos já haviam chegado. Bruna convidou algumas amigas dela e eu chamei a Bia que também já estava lá e logo se enturmou com o grupo de meninas mas parecia não estar muito confortável ali, me aproximei dela e começamos a conversar:

Tudo bem?
Sim... - Forçou um sorriso.
Parece que não tá gostando.
Estou sim! É que estou preocupada com a Camila.
Não fique, ela está bem. Eu a convidei sabia?
É a Bruna comentou! - Nesse momento ouvimos uma freada muito forte, em seguida alguns barulhos estrondosos de lataria e vidros se quebrando.
O que foi isso?
Alguém que acabou de se matar! - Sorocaba gritou vendo o que tinha acontecido por cima do muro. 
Tá doido boi? - Disse me aproximando e subindo no murinho também.
Sério boi. E foi bem aqui em frente! Algum playboy inconsequente. - Ele balançou a cabeça. E eu reconheci o carro, desci as pressas e murmurei.
Ou uma patricinha! - Desci correndo e chamei Bruna, comentei por alto e pedi que ela ficasse de olho em Bia.

Segui até a entrada do condomínio e quando chegando Jeferson o porteiro ia se aproximando.
Boa Tarde Sr. Luan
Sabe me informar se tem algum na casa da sua vizinha?
A Camila?
Sim senhor.
Acho que ela está sozinha...
Sua feição era de espanto e preocupação ao mesmo tempo.
Cê viu o acidente?
Vi... É, é que... Sr Luan, era a menina naquele carro!
A CAMILA? Tá esperando o que Jeferson, abre logo esse portão. Vamos socorrer!
Eu já chamei o resgate. Acho que ela está morta.
Não está não ela está se mexendo, abre! - Pedia desesperado.


Foi a cena mais horrível que eu já vi, o carro estava totalmente destruído e o resto de suas coisas que provavelmente estavam no carro ou em sua bolsa espalhados por todo o quarteirão. Camila estava muito machucada, seu sangue escorria por todo o seu rosto, tinha marcas em seus ombros braços, metade do seu corpo estava para fora do carro e a outra metade presa. Ela chorava muito, parecia estar nervosa, gritava por socorro.

Luan, por favor... Me tira daqui! Você é homem... AAAAAAAAAI! - Ela gritou.  Minha perna tá presa, eu não consigo soltar ela.
Calma, você não pode se mexer, pode ter fraturado alguma coisa. Já chamamos o resgate. Eu não posso mexer em você! - Eu disse derrotado. Se eu fizer isso posso te machucar mais ainda. - Ouço a sirene de resgate se aproximando. Já estão chegando, aguenta firme!

Explicamos o que ouvimos para um dos socorristas enquanto outros dois tentavam tirar Patrícia de dentro do carro, porem era mais grave do que imaginávamos. A perna esquerda dela estava presa nas ferragens e eles não estava conseguindo tirá-la de lá...
Desculpa, é... Tá complicado ali, a perna da moça tá presa no meio das ferragens, vamos precisar de reforço. Nós três não vamos conseguir! Precisamos de reforço para ajudar a levantar aquela parte lá - Apontou para o que parecia ser o capô do carro, ou o que sobrou dele. - Mas ela não vai aquentar esperar... Ela tá perdendo muito sangue! - Ele disse derrotado.
A gente ajuda! A gente levanta o carro e vocês retiram ela. - Falei me intrometendo.
Tem mais gente ou só vocês?
Tem mais! Jeferson, toca lá em casa manda os homens todos vim.


Todos que estavam no churrasco agora estavam la fora vendo aquela triste cena. Eu e meu pai, Sorocaba e Dudu fomos ajudar os bombeiros enquanto Max tentava acalmar Bia junto com a Bruna. Sim, foi difícil tenho que confessar! Mas graças a Deus conseguimos puxar aquela parte que estava toda amassada e imprensava a perna de Camila. Logo um dos socorrista a tirou de lá e podemos soltar a lataria colocando novamente no chão, eles a imobilizaram e ela parecia não saber qual era a gravidade do seu caso, já que não via que sua perna esquerda estava com uma fratura exposta. Agora entendi o porque dos gritos que ela dava de dor... Realmente aquilo ali devia estar insuportável!
Mais uma vez um dos socorrista se aproximou nos perguntando se havia alguém que pudesse acompanhar a moça até o hospital, e Bia disse que iria com ela. Me ofereci para ir junto, porém meu pai disse que não seria uma boa ideia. Tive que me contentar em receber noticias por telefone somente. Peguei o contato dos pais da Camila com Bia e me propus a contar o ocorrido a eles, me despedi de Bia e pedi que ela me mantes se informado. Voltamos todos para casa não tinha mais clima para festa, mas continuamos todos ali, dessa vez torcendo para que a menina saísse daquela situação com vida!

BELA ADORMECIDA

CAPITULO 2


Acordei no dia seguinte com a luz do sol forte refletindo em minha janela, xinguei mentalmente a mim mesma por ter esquecido de fechar a cortina na noite anterior. Ainda estava morrendo de sono e queria dormir mais.. Levantei para fechar a cortina e dei de cara com o Luan do outro lado encostado em sua varanda falando ao telefone. Fingi que nem o vi e fechei minha cortina voltando para a minha cama, era "cedo" para eu levantar e vamos ser sinceros, quem é que levanta as dez da manhã de um domingo? Ninguém! No mínimo você levanta meio-dia e meio... E ainda assim é cedo.

Alô! -Atendi com a voz rouca pelo sono.
Bom dia princesa! Ainda estava dormindo?
Pai? - Dei um pulo da cama ao ouvir sua voz.
Tudo bem filhota? - Ele perguntava
Tudo! Pai, quando você volta? Estou com saudades! - Falei triste e já levantando da cama.
Não sei ainda meu amor, mas vou demorar ainda. Como estão as coisas aí? Sua mãe? Estou ligando no celular dela mas só da caixa postal!
Mamãe foi para o Rio hoje de manhã, tinha uns eventos sociais para participar... - Falei revirando meus olhos e indo para a varanda de meu quarto.
E você? Vai passar o fim de semana sozinha? Porque não foi com ela? - Perguntou.
Não quis! Na verdade eu e a mamãe não estamos nos dando muito bem pai. Ela mal para em casa, a gente mal conversa e quando estamos juntas só sai briga.
Já falei que não quero você discutindo com a sua mãe Camila! - Ele me repreendeu e dessa vez a briga foi com ele. Não me contive e ascendi um cigarro, sem ao menos ter comigo ou bebido nada de manhã, estava completamente de estômago vazio, enquanto meu pai e eu discutíamos no telefone e entre uma tragada e outra fiquei tonta. Tentei me equilibrar no parapeito da varanda mas foi tarde demais.


(...)

Estava no meu quarto ainda deitado, acordei cedo hoje ia ter um churrasco de tarde e eu fui fazer uns contatos. Depois de tudo resolvido, voltei para a minha cama queria estar descansado na hora que a turma chegasse... Liguei a TV e fiquei deitado em minha cama tentava prestar atenção no que passava mas roer meus dedos estava mais interessante. Sim, roer meus dedos pois unha eu nem tinha mais para roer!

Algum tempo depois ouço vozes alteradas vindo do outro lado da calçada e não me surpreendi ao ver Camila esbravejando com alguém no telefone... Nossa essa garota era mesmo insuportável! Ela briga com todo mundo, como ela consegue? Outra curiosidade, como a Bia uma garota tão meiga atura? Seus gritos me chamaram a atenção e eu fui até a minha varanda como quem não quer nada, observei que enquanto ela discutia no telefone ela ascendeu um cigarro. Nossa, mais já? Eita vício hein! Uma, duas, três tragadas e de repente vejo ela se apoiar no parapeito da varanda, por um segundo achei que ela voaria lá de cima mas logo ela recuou e nesse momento vejo ela se estatelar totalmente no chão.
Saí correndo do meu quarto o que assustou a todos em minha casa.

O que aconteceu Luan?
Não dá pra falar agora! Pai, vem comigo...
Para onde?
Só vem!
Meu pai foi me acompanhando e me enchendo de perguntas enquanto atravessávamos a rua.
Onde tá indo Luan?
A menina que mora aqui, ela tava na varanda e do nada ela desmaiou!
E você viu?
Eu estava na sacada na hora que ela desmaiou - Respondi enquanto disparava a campainha da casa dela na esperança que alguém me atendesse. Droga... Abre essa porta pelo amor de Deus, alguém!
Será que ela mora sozinha?
Não sei, acho que não! - Não queria contar para meu pai que já conhecia a garota e muito menos que eu tinha brigado com ela na noite anterior.
Vou ligar na portaria. - Meu pai disse enquanto voltava para casa.
Isso! Eu vou insistir aqui, espero que alguém me atenda.

[...]
Ei, acorda! - Eu dava leves tapas no rosto dela na tentativa de acorda-la, mas era em vão. Então a peguei no colo e desci com ela a colocando no sofá e procurando por alguma chave ali e logo encontrei por um chaveiro em cima da mesinha de centro. Deduzi que poderia ser a chave da porta e então a peguei, tentei uma, duas e na terceira consegui abrir. Peguei novamente ela no colo e atravessei com ela para minha casa, meu pai correu assustado me alcançando e perguntando como eu tinha entrado lá.
Depois eu explico pai! Agora a gente precisa socorrer ela - Disse ofegante!
O que hou...
Mãe não faz pergunta, só me ajuda. Ela está desmaiada eu acho!
Pega um perfume Bruna isso é bom! Se for um desmaio ela desperta com o cheiro. - Minha mãe falou preocupada.
Aí dentro dessa mochila tem um, pega ele! - Bruna abriu minha mochila que estava na sala.

Já tinha colocado-a deitada no sofá quando Bruna me entregou o perfume, rapidamente tirei minha camiseta e burrifei sobre ela inúmeras vezes até sentir que o tecido estava um pouco molhado, coloquei aquela parte da minha camisa sobre o seu nariz e a vi recobrar  os sentidos.
...
Acordei atordoada e num ambiente totalmente estranho, olhei para os lados e vi um casal no qual eu nunca tinha visto antes...
Quem são vocês? O que está acontecendo? Onde eu est... - Quando vi Luan parado em minha frente e seu olhar preocupado minha pergunta mudou. O que faz aqui?
Olha na boa, não é hora de brigas tá! Deixe seus chiliques para depois... Você está bem?
Sim. - Disse me levantando do sofá.
Tem certeza? - Ele insistiu.
Já disse que estou! Ai... - Passei a mão pela minha cabeça e notei que ela sangrava.
Não né Luan! Está vendo que a cabeça da menina tá sangrando. Talvez seja melhor chamar um médico. - Bruna sugeriu.
Não precisa se preocupar! Eu estou bem e agora vou para a minha casa! Obrigado pela atenção de vocês. E obrigado a você também! - Respondi completamente seca para ele.
Mas menina, sua cabeça está sangrando, você acabou de acordar de um desmaio não é bom levantar ass... - Antes que aquela jovem senhora terminasse a frase eu caí novamente.


...

Então doutor?
Nada grave, não vai precisar levar pontos e nem tem a necessidade de ir parano hospital.
E os desmaios? - Perguntou ele parecia preocupado.
Fraqueza, foi apenas isso. - Respondeu calmo. Tem se alimentado direito? - Me perguntou.
Sim! Eu sempre como certinho, não sou de comer besteira e nem de ficar sem comer! - Respondi meio sem jeito.
Sua pressão estava baixa e sua barriga murcha. Sinal de que está sem nenhum tipo de reserva alimentar no organismo. - Ele me alertou.
Eu acordei faz pouco tempo e não tomei café ainda... - Tentei me defender, e só fiz piorar a minha situação.
Então porque você... - Ele se calou. Olha, eu sei que eu não tenho nada a ver com a sua vida! E depois de ontem, eu poderia muito bem ter te deixado caída lá na sua casa até alguém chegar pra te socorrer... Mas, eu não sou uma pessoa ruim! Então eu vou sim falar uma coisa que está entalado na minha garganta, e eu só vou te fazer uma pergunta. - Ele me olhava sério, e todos ali naquela sala não estavam entendendo absolutamente nada. Assim como eu!
Você fuma? - Ele não me perguntou, já sabendo a minha resposta.
Fumo sim, e daí? - Respondi.
Tá, em primeiro lugar você sabe o mal que isso faz? Em segundo lugar como você consegue fumar tanto cigarro em um espaço de tempo tão curto? Em terceiro lugar, já parou pra pensar no quanto está se estragando com essa porcaria? - Dizia autoritário.
E você não cansa de ser o politicamente correto? Você me dá enjoo sabia! E quanto aos meus cigarros isso é um problema meu! - Sim a gente estava discutindo na frente de todos.
Calma, calma, calma... É Camila né? - O doutor perguntou.
Isso Camila Medeiros. - Respondi.
Então senhorita Camila, você fumou hoje pela manhã? - Ele me perguntou novamente.
Sim... Eu estava fumando na hora que eu desmaiei. - Assenti indiferente.
E passou pela sua cabeça que isso pode ter ocorrido por conta do cigarro? 
O que um desmaio tem a ver com o cigarro, você não disse que era fraqueza? - Perguntei confusa.
Minha jovem, você sabe quantas substâncias contém um de cigarro? 
Não! - Disse curiosa.
São mais de 50 substâncias, muitas delas tóxicas, narcóticas, e algumas alucinógenas. Quando você fuma um cigarro já causa um grande mal ao seu organismo, e quando se faz isso de estômago vazio a proporção é maior ainda. Pois seu corpo está fraco para receber essa quantidade monstruosa de toxinas e lutar contra elas, é então que falta oxigenação no cérebro e vem as fortes dores. Não digo que isso lhe trara uma morte instantânea, mas tenha certeza de que isso que você faz é uma mutilação contra você mesmo! A cada dia, você morre um pouco mais... - Eu não respondi mais nada, fiquei calada e completamente sem graça pelo sermão que acabara de levar. Eu sabia que fumar faz mal, mas eu não fumava com frequência. Só quando eu estava no meu estresse extremo.


Depois de ouvir tudo o que aquele senhor tinha me dito eu pedi licença e sai em direção a minha casa, ouvi gritos pedindo que eu esperasse mais eu não dei audiência, queria ficar sozinha. Se eles soubessem o inferno que é a minha vida! De como é triste você querer a atenção de seus pais e não ter... Como é horrível você sentir saudades e não poder abraçar aquela pessoa, do quanto é irritante olhar para a cara da sua mãe todo dia e ela mal te dirigir a palavra porque esta sempre ocupada com a sua vida pessoal. Talvez entenderiam porque eu bebo e fumo tanto! E se eu morrer? Bom, seria um favor que eu faria e um alívio também!
Estava na cozinha terminado de comer um pão e tomar meu suco quando esculto a campainha tocar. De certo era a Bia que já vinha logo cedo me perturbar, pedi que aguardasse por um momento e logo fui abrir.

Ah é você? - Disse decepcionada.
Licença, posso entrar? - Ele perguntou educado.
Posso saber o que quer? - Dei passagem.
Meus pais estão preocupados, e confesso que eu também fiquei! Mesmo sem conhecer você. - Perguntou enquanto entrava.
Estou ótima. Já me alimentei! Agradeço a preocupação. - Respondia simples.
Tem certeza?
Absoluta! Obrigada por me socorrer, mas, como pode ver estou inteirinha e pronta para outra.
Tudo bem então. É... Bom, eu vou indo nessa, qualquer coisa pode tocar lá em casa.
Obrigada, se precisar eu aviso! - Sorri fechado.